sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A conversa

Palavras ditas

Ele: Oi!
Ela: Oi.
Ele: E aí, como tu tas?
Ela: Eu to bem. E você?
Ele: Também. Vai fazer oque hoje?
Ela: Não sei ainda, talvez eu vá pro Uk. To vendo com o pessoal.
Quando eu decidir te digo oque resolvi tá?
Ele: Hmn..tá certo então.
Espero te ver mais tarde.
Ela: Beijo.
Ele: Beijo.



O texto nas entrelinhas

Ele: Oi! (meus deus, ela tá online!)
Ela: Oi (porra, porque esse otário veio falar comigo??).
Ele: E aí, como tu tas?
Ela: Eu to bem (pior agora). E você?
Ele: Também. Vai fazer oque hoje? (espero que vá pro mesmo lugar que eu)
Ela: Não sei ainda, talvez eu vá pro Uk. To vendo com o pessoal.
Quando eu decidir te digo oque resolvi tá? (claro que não vou te dizer né, idiota)
Ele: Hmn..tá certo então.
Espero te ver mais tarde. (putz, como quero encontrar ela)
Ela: Beijo (até nunca mais).
Ele: Beijo!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O carrossel da vida

Porque algumas pessoas passam tão rápido na nossa vida?
Você está conversando com elas e de repente...BAM! Elas se tornam pessoas que você quer ter ao seu lado sempre!
E lá está você, passando um tempo legal com essas tais pessoas e BAM(de novo)! Elas desaparecem num passe de mágica!
E assim vai passando o tempo, e cada vez mais pessoas vão passando pela sua vida, como num supermercado, você escolhe aqueles que vai levar consigo, e outros você deixa numa prateleira, para, quem sabe, pegá-los numa outra ida ao supermercado.
Mas, à medida que a Terra vai dando cambalhotas e brincando de roda, pessoas vão pulando fora da brincadeira chamada vida e vão ficando sentadas ao lado, esperando para serem chamadas de volta.
Essas são as pessoas que fazem a diferença na sua vida, aquelas que você lembrará para sempre. Aquelas que te fazem sorrir quando dizem apenas um "te cuida", ou que vão ser lembradas por uma música que te fizeram escutar ou uma palavra que disseram ou uma roupa que usaram um dia, mesmo que distante.
Outras, ainda enquanto estão brincando são chamadas pelos pais para irem tomar banho, ou jantar. E vão embora, e nunca mais voltam.
Essas são aquelas que passaram despercebidas pela sua vida.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A trajetória dum sambista decadente

Ele começa a pensar, até que uma idéia brota na sua cabeça: "Vou escrever um samba!"
E começa a seguir os passos dos sambistas..
Pega um cigarro..dá uma tragada.
tosse, gospe e acha melhor parar.
pega sua bombinha de asma e usa ela uma vez.
Toma um gole de cerveja..
que coisa amarga! Enche um copo com água gelada e dá um gole grande.
não tem nada melhor que isso.
Pega o violão e começar a arranhar uma música.
não, não..sem ritmo nenhum. Nenhum.
Tenta cantar uma das rimas que escreveu.
que desafinado, e, ainda por cima, o que foi escrito não tem nexo algum!
Pega seu notebook, e coloca pra tocar o melhor samba que já ouviu.
Agora sim, o samba está perfeito!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Soneto 4

Venho aqui postar um dos tantos Sonetos escritos por Álvares de Azevedo.
Poeta da Segunda fase do Romantismo, a fase Ultra-Romântica. Boa parte dos seus poemas tratam do amor não correspondido, do pessimismo, do mal do século, tendo ambientes sombrios como plano de fundo.
Morreu muito cedo, virgem, mas era um boêmio, e aproveitou a vida ao máximo.
Tanto que uma frase dita (escrita) por ele mesmo, o define : "Foi poeta, sonhou e amou na vida"


SONETO 4

Álvares de Azevedo


Pálida, a luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar! na escuma fria
Pela maré das água embalada...
— Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! o seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti — as noites eu velei chorando
Por ti — nos sonhos morrerei sorrindo!

domingo, 2 de novembro de 2008

O pássaro negro












O vento traz notícias,
boas ou ruins, não se sabe.
O que se sabe, é que nele viaja um grande pássaro.

Negro como a noite,
ele cobre todo o Sol com a envergadura das suas asas.
Esse é o carteiro.

Um condor passa a sua frente,
ele o ataca brutalmente, causando a sua morte.
Liberdade? Essa palavra já não existe mais.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Fazendo a diferença


As árvores fazem sombra na calçada por onde ele anda.
Elas estão perdendo as folhas, ficando carecas, igual a ele.
Começam a assoviar, e enquanto isso um vento frio bate na sua cabeça raspada,
ele treme...
Ele começa a sorrir, um sorriso bobo, que fica no seu rosto enquanto lembra os momentos bons que viveu.
Momentos com sua família, com seus amigos, amigas..também com pessoas desconhecidas.
As conversas que vão permanecer na sua mente, os rostos que nunca vão sair de seu coração, as sensações que sempre inundarão o seu sangue.
Então começam a surgir alguns momentos ruins, e estes tomam conta de todo seu corpo, superando em grande número as coisas boas, e fazendo o sorriso desaparecer do seu rosto.
Enquanto atravessa a rua, ele não presta atenção no trânsito e um carro vem em sua direção, o tempo pára com o carro a alguns metros dele, e só o som da buzina do carro fica na sua cabeça como uma sirene, que anunciasse sua morte.
Se morresse hoje, ele sabe que morreria feliz, pois várias pessoas fizeram a diferença na sua vida.
Mas será que ele fez a mínima diferença na vida de alguém?

Tudo volta ao normal, o tempo volta a passar..ele dá um salto e escapa do carro e da morte, por enquanto.
Chegou a hora de fazer a diferença na vida de alguém!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A névoa

Eu sigo sempre em frente, olhar para trás dá medo,
sigo sem sentir saudade, oque passou, passou.
Mas ao olhar para frente, nada vejo, apenas uma névoa espessa,
sigo meu caminho sem saber para onde vou.
Bato a cabeça numa parede, não posso mais seguir por aqui.
À esquerda, a névoa parece diminuir, vejo um oceano lindo ao fundo.
À direita, não vejo nada, apenas névoa, e mais névoa.
Sigo pela esquerda, e, após andar alguns passos, não sinto mais meus pés tocarem o chão.
Começo a cair numa velocidade assustadora, vejo minha imagem refletida na água.
Ao me abraçar lá embaixo, sinto um empuxo para cima, e começo a voar, em direção ao céu...
Por cima de toda a névoa.

domingo, 19 de outubro de 2008

Começando

Porque durante a vida, pensamos tanto na morte?
Porque fazemos tantos planos para o futuro, se ele é tão incerto?
Estava conversando com uma amiga minha sobre isso sexta-feira, e ela não concordou comigo quando eu disse que o presente é tão incerto quanto o futuro. Pra mim é sim, a única coisa que não é incerta é o passado, mas algumas conclusões tiradas no passado geram várias das situações que viveremos, sofreremos e amaremos no presente. Fazendo uma analogia, transformemos esses três intervalos na nossa família e tornemos o mundo num observador: O passado seria nossos pais, o presente seriamos nós e o futuro seriam nossos filhos. O mundo já sabe como nossos pais são, o caráter deles e suas opiniões acerca de tudo. Nós já temos alguma idade (já estou com 20 anos, estou ficando velho), o mundo sabe como agiremos em algumas situações, já que como filhos do passado, a genética nos passou alguma herança, porém, em outras situações, podemos causar espanto nesse observador, agindo de modo diferente do esperado. O futuro só reserva surpresas ao observador, pois os netos podem ser totalmente diferentes dos avós.

Apesar da incerteza do presente e do futuro, só posso dizer que tentar ser feliz é o melhor que podemos fazer.